O que precisa estar escrito antes de começar um piloto

Piloto é a forma mais honesta de começar um projeto e a mais fácil de trabalhar de graça. Quatro coisas no papel antes da primeira linha.

Por Rodrigo Carvalho ·

Piloto é a forma mais honesta de começar: pequeno, com prazo curto, com preço fechado. É também a forma mais fácil de trabalhar de graça, se algumas coisas não estiverem combinadas antes.

Estas são as quatro que eu não abro mão de escrever.

O piloto roda fora do sistema do cliente

Essa é a que mais gera pergunta. Se o objetivo é melhorar a operação, por que não conversar com o sistema que ela já usa?

Porque integrar exige acesso, credencial, homologação e uma conversa com a TI que costuma demorar mais que o piloto inteiro. Enquanto isso, nada acontece e a expectativa vai esfriando.

Rodando por fora, o resultado aparece em semanas. E aí a decisão de integrar vira consequência de algo que já está funcionando, não um pré-requisito para tentar.

O aceite é a demonstração, não a conferência de números

Essa é a armadilha mais perigosa de todas, e ela chega disfarçada de bom senso: combinar que o projeto está aprovado quando os números novos baterem com os do sistema atual.

Eles não vão bater. O sistema atual tem erros, e é justamente por isso que alguém chamou ajuda. Quando o aceite está amarrado a essa conferência, cada diferença encontrada vira prova contra quem está entregando, quando ela é o achado mais valioso do trabalho.

O que se combina, então, é que o aceite é a demonstração de que aquilo funciona na prática. As diferenças encontradas entram como entrega, não como defeito.

Guardar os eventos, não só o resultado

Saldo, contagem, total: qualquer número desses deve ser calculado a partir do histórico de movimentos, não guardado como um valor que se sobrescreve.

Parece detalhe técnico e não é. Guardando os movimentos, você reconstrói qualquer número em qualquer data e explica de onde ele veio. Guardando só o resultado, quando alguém questiona, e alguém sempre questiona, não existe resposta.

Numa relação que está começando, poder explicar o número importa mais do que o número em si.

Preço cheio e fronteira, no mesmo papel

Duas coisas que vão na proposta sempre.

O preço cheio aparece mesmo quando o piloto sai com desconto, porque o desconto é daquele piloto e não da tabela. Sem o valor cheio escrito, não existe referência nenhuma na hora de falar do que vem depois.

E a fronteira, quer dizer, o que não está incluído. Escrever isso evita a conversa mais desgastante que existe num projeto, a de escopo, enquanto ela ainda é uma conversa barata.

Duas coisas que eu aprendi vendo um piloto travar

Um piloto meu ficou parado esperando aprovação, e duas leituras ficaram.

A primeira é que eu superestimei o trabalho de preparação. O que parecia necessário para começar era várias vezes maior do que o que de fato bloqueava o início. Vale medir o mínimo real para destravar, não o total desejável.

A segunda é que aceite por demonstração exige uma data de demonstração marcada. Sem data no calendário, “aguardando aprovação” é um estado que não termina sozinho.

No fim, é isso

Piloto não é uma versão pequena do produto. É um experimento com critério de sucesso escrito antes de começar.

Quando esse critério não está no papel, o que existe é trabalho de graça com esperança de virar contrato. Já fiz isso. Não recomendo.

Próximo passo

Isso acontece na sua operação?

Então vale conversar. Uma hora, sem custo, olhando o seu caso: você sai com um processo escolhido e uma forma de saber se deu certo.

Risco invertido: se em 6 semanas o processo não estiver rodando de verdade na sua operação, a segunda parcela do piloto você não paga.

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