O que precisa estar escrito antes de começar um piloto
Piloto é a forma mais honesta de começar um projeto e a mais fácil de trabalhar de graça. Quatro coisas no papel antes da primeira linha.
Piloto é a forma mais honesta de começar: pequeno, com prazo curto, com preço fechado. É também a forma mais fácil de trabalhar de graça, se algumas coisas não estiverem combinadas antes.
Estas são as quatro que eu não abro mão de escrever.
O piloto roda fora do sistema do cliente
Essa é a que mais gera pergunta. Se o objetivo é melhorar a operação, por que não conversar com o sistema que ela já usa?
Porque integrar exige acesso, credencial, homologação e uma conversa com a TI que costuma demorar mais que o piloto inteiro. Enquanto isso, nada acontece e a expectativa vai esfriando.
Rodando por fora, o resultado aparece em semanas. E aí a decisão de integrar vira consequência de algo que já está funcionando, não um pré-requisito para tentar.
O aceite é a demonstração, não a conferência de números
Essa é a armadilha mais perigosa de todas, e ela chega disfarçada de bom senso: combinar que o projeto está aprovado quando os números novos baterem com os do sistema atual.
Eles não vão bater. O sistema atual tem erros, e é justamente por isso que alguém chamou ajuda. Quando o aceite está amarrado a essa conferência, cada diferença encontrada vira prova contra quem está entregando, quando ela é o achado mais valioso do trabalho.
O que se combina, então, é que o aceite é a demonstração de que aquilo funciona na prática. As diferenças encontradas entram como entrega, não como defeito.
Guardar os eventos, não só o resultado
Saldo, contagem, total: qualquer número desses deve ser calculado a partir do histórico de movimentos, não guardado como um valor que se sobrescreve.
Parece detalhe técnico e não é. Guardando os movimentos, você reconstrói qualquer número em qualquer data e explica de onde ele veio. Guardando só o resultado, quando alguém questiona, e alguém sempre questiona, não existe resposta.
Numa relação que está começando, poder explicar o número importa mais do que o número em si.
Preço cheio e fronteira, no mesmo papel
Duas coisas que vão na proposta sempre.
O preço cheio aparece mesmo quando o piloto sai com desconto, porque o desconto é daquele piloto e não da tabela. Sem o valor cheio escrito, não existe referência nenhuma na hora de falar do que vem depois.
E a fronteira, quer dizer, o que não está incluído. Escrever isso evita a conversa mais desgastante que existe num projeto, a de escopo, enquanto ela ainda é uma conversa barata.
Duas coisas que eu aprendi vendo um piloto travar
Um piloto meu ficou parado esperando aprovação, e duas leituras ficaram.
A primeira é que eu superestimei o trabalho de preparação. O que parecia necessário para começar era várias vezes maior do que o que de fato bloqueava o início. Vale medir o mínimo real para destravar, não o total desejável.
A segunda é que aceite por demonstração exige uma data de demonstração marcada. Sem data no calendário, “aguardando aprovação” é um estado que não termina sozinho.
No fim, é isso
Piloto não é uma versão pequena do produto. É um experimento com critério de sucesso escrito antes de começar.
Quando esse critério não está no papel, o que existe é trabalho de graça com esperança de virar contrato. Já fiz isso. Não recomendo.